Ampliando os cânones
Por uma diversidade metodológica dos cursos de História da Música Ocidental e do Brasil
DOI:
https://doi.org/10.52930/mt.v9i1.286Resumo
Proponho uma revisão da literatura sobre musicologia histórica, suas principais abordagens e desdobramentos – musicologia sistemática, musicologia comparada – a partir do final do século XIX, com Adler, visando a um aprimoramento dos cursos de História da Música Ocidental e História da Música Brasileira. Utilizando a metodologia amparada em Carl Dahlhaus, procurei contemplar a historiografia musical a partir de seus paradigmas, e, mais adiante, a historiografia musical brasileira, tratando, a seguir, da epistemologia da História da Música Ocidental, traçando um quadro mais inclusivo e descentralizado da disciplina. Buscando um panorama menos etnocêntrico, inspirado na metodologia etnomusicológica, pudemos abordar as diferentes passagens da História não como estanques, porém como eventos que se sucedem através de causa e efeito, de acordo com Leandro Gaertner. Ao questionar os cânones da Música Ocidental e a cultura conservatorial, não se objetiva uma eliminação desses paradigmas, mas apenas uma maior diversificação dos temas e compositores abordados, ampliando a lista dos cânones, incluindo autoras mulheres e negros, periféricos e orientais. Na disciplina que ministrei como docente, verificou-se que os resultados foram que o interesse e comprometimento dos discentes com a disciplina cresceu com o incremento de autores abordados e metodologias empregadas, inclusive das Ciências Sociais. Conclui-se que ao serem selecionados compositores e obras representativos de diversos períodos, etnias, funções – não apenas a estética ocidental tradicional – para compor o cânone da História da Música Ocidental e Brasileira, os discentes sentiram-se mais dispostos a se debruçar sobre o estudo e as abordagens da disciplina, tratada não de forma linear e evolucionista, mas de modo abrangente e holístico.