Lançamento da Série Congressos da TeMA

É com grande satisfação que apresentamos aos nossos associados e aos estudiosos da Música o primeiro volume da Série Congressos da TeMA, uma publicação bienal contendo ensaios selecionados dos congressos da associação. O volume contém 17 textos apresentados nas conferências e mesas-redondas do I Congresso, realizado em Salvador, em novembro de 2014. Acácio Piedade, Carole Gubernikoff, Cristina Gerling, Fernando Cerqueira, Lawrence Kramer, Liduíno Pitombeira, Manuel Veiga Marcílio Onofre, Marcos Vinício Nogueira, Michael Klein, Norton Dudeque, Paulo Costa Lima, Paulo de Tarso Salles e Rodolfo Coelho de Souza assinam os ensaios que se dirigem a cinco tópicos: Análise Musical na Contemporaneidade; Teorias do Compor: a contemporaneidade brasileira; Análise Musical como Discurso Crítico; Vocabulário Teórico-Analítico e sua Problemática; e Expectativas para a Teoria da Música na Atualidade. A edição eletrônica encontra-se disponibilizada neste site (v. Publicações). A edição impressa, com lançamento previsto para o “Encontro 2015 da TeMA” (23-24/10/2015), será distribuída aos autores, associados e instituições de ensino musical (a pedido: diretoria@tema.mus.br).

I Congresso da TeMA

Realizou-se em Salvador, no período de 9 a 12 de novembro de 2014, o congresso inaugural da TeMA. Patrocinado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Fundação CAPES e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), sendo significativamente apoiado pela Associação OCA de compositores baianos e pelo Laboratório COMPOMUS da UFPB, o evento realizou-se na Escola de Música da UFBA. Participaram 50 congressistas, representando 15 instituições de ensino superior. O tema geral do congresso – “O Pensamento Musical Criativo: Teoria, Análise e os Desafios Interpretativos da Atualidade” – foi desenvolvido em quatro mesas temáticas e dois fóruns temáticos, quando discutiu-se, principalmente: “Processos e resultados composicionais no Brasil contemporâneo – concatenações e ressonâncias”; “A crítica como alicerce do pensamento analítico – perspectivas hermenêuticas, cognitivas, sistemáticas e históricas”; “Pensamento e linguagem — a dimensão cultural na criação e trânsito de conceitos”; “A pós-graduação em composição no Brasil — vocações, legados e perspectivas”. Criaram-se três grupos de estudo, cujos temas, visando ao suprimento de carências identificadas na produção brasileira e à sua compatibilização com o atual desenvolvimento internacional em teoria e análise musical, conduzirão o programa editorial da TeMA em sua primeira fase administrativa: “Trajetória da produção teórico-analítica no Brasil”, “Vocabulário teórico-analítico em língua portuguesa”, e “Procedimentos narratológicos do discurso musical”. A Assembleia Geral, reunindo 30 associados fundadores, aprovou o Estatuto Social da TeMA e elegeu sua primeira diretoria para o biênio 2015-2016.

Lawrence Kramer e Michael Klein no I Congresso da TeMA

O I Congresso da TeMA trouxe, pela primeira vez ao Brasil, dois ilustres pesquisadores estadunidenses que proferiram as conferências inaugurais da Associação: Lawrence Kramer e Michael Klein. Lawrence Kramer, Professor Emérito de Música e Inglês na Universidade Fordham (Nova Iorque), além de um renomado musicólogo, também é um compositor premiado. Em 2013, seu movimento para quarteto “Clouds, Wind, Stars” foi distinguido com o “Composers Concordance ‘Generations’ Prize”. Da sua produção musicológica recente, podemos citar: Expression and Truth: On the Music of Knowledge (2012), Interpreting Music (2010), e Why Classical Music Still Matters (2007), todos publicados pela Editora da Universidade da Califórnia (UCP). Em sua conferência original para a TeMA – “Em Busca da Música: linguagem, análise e cuidado” –, opondo-se à concepção geralmente aceita de que a análise é a base da compreensão musical, Kramer defenderá a noção de que a compreensão musical é, ou deve ser, a base da análise – e o seu limite. O que a música apresenta para análise, diz Kramer, é o resultado de como uma pessoa culturalmente engajada discursa através dela. E a compreensão musical deve originar-se de interpretações baseadas no processo do discurso musical – o que interessa na música – e de seus efeitos. Michael Klein, PhD em Teoria da Música pela Universidade Estadual de New York em Buffalo, é Professor e Chefe do Departamento de Estudos Musicais em Temple University (Filadélfia). Sua pesquisa dirige-se à teoria crítica e suas aplicações à compreensão musical. É autor de Intertextuality in Western Art Music (Indiana University Press, 2005) e tem publicado uma grande variedade de temas em importantes periódicos internacionais. Seu artigo “Chopin’s 4th Ballade as Musical Narrative”, publicado em 2004 em Music Theory Spectrum, rendeu-lhe um prêmio da Society for Music Theory. Seu próximo livro, Music and the Crises of the Modern Subject, dirige-se aos problemas da subjetividade moderna (segundo o modelo lacaniano) e suas implicações para a compreensão da música. Em sua conferência para o congresso da TeMA – “Música e Narrativa a partir de 1900: o desafio hermenêutico da análise contemporânea”, Klein argumenta: “O que faz crescer a problemática da narrativa musical após 1900 é a perda daquilo que muitos consideraram (erroneamente) ser o impulso narrativo da música anterior a 1900: a tonalidade.” Para o autor, a tonalidade funciona mais como uma ideologia do que como narradora de histórias. Segundo Klein, “o estudo narrativo da música é um ato hermenêutico, que deve ocupar-se da história, da cultura e da subjetividade. Caso contrário, a narrativa musical simplesmente reinscreve o formalismo puro no estudo da música”.