I Congresso da TeMA

Realizou-se em Salvador, no período de 9 a 12 de novembro de 2014, o congresso inaugural da TeMA. Patrocinado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), pela Fundação CAPES e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (FAPESB), sendo significativamente apoiado pela Associação OCA de compositores baianos e pelo Laboratório COMPOMUS da UFPB, o evento realizou-se na Escola de Música da UFBA. Participaram 50 congressistas, representando 15 instituições de ensino superior. O tema geral do congresso – “O Pensamento Musical Criativo: Teoria, Análise e os Desafios Interpretativos da Atualidade” – foi desenvolvido em quatro mesas temáticas e dois fóruns temáticos, quando discutiu-se, principalmente: “Processos e resultados composicionais no Brasil contemporâneo – concatenações e ressonâncias”; “A crítica como alicerce do pensamento analítico – perspectivas hermenêuticas, cognitivas, sistemáticas e históricas”; “Pensamento e linguagem — a dimensão cultural na criação e trânsito de conceitos”; “A pós-graduação em composição no Brasil — vocações, legados e perspectivas”. Criaram-se três grupos de estudo, cujos temas, visando ao suprimento de carências identificadas na produção brasileira e à sua compatibilização com o atual desenvolvimento internacional em teoria e análise musical, conduzirão o programa editorial da TeMA em sua primeira fase administrativa: “Trajetória da produção teórico-analítica no Brasil”, “Vocabulário teórico-analítico em língua portuguesa”, e “Procedimentos narratológicos do discurso musical”. A Assembleia Geral, reunindo 30 associados fundadores, aprovou o Estatuto Social da TeMA e elegeu sua primeira diretoria para o biênio 2015-2016.

Lawrence Kramer e Michael Klein no I Congresso da TeMA

O I Congresso da TeMA trouxe, pela primeira vez ao Brasil, dois ilustres pesquisadores estadunidenses que proferiram as conferências inaugurais da Associação: Lawrence Kramer e Michael Klein. Lawrence Kramer, Professor Emérito de Música e Inglês na Universidade Fordham (Nova Iorque), além de um renomado musicólogo, também é um compositor premiado. Em 2013, seu movimento para quarteto “Clouds, Wind, Stars” foi distinguido com o “Composers Concordance ‘Generations’ Prize”. Da sua produção musicológica recente, podemos citar: Expression and Truth: On the Music of Knowledge (2012), Interpreting Music (2010), e Why Classical Music Still Matters (2007), todos publicados pela Editora da Universidade da Califórnia (UCP). Em sua conferência original para a TeMA – “Em Busca da Música: linguagem, análise e cuidado” –, opondo-se à concepção geralmente aceita de que a análise é a base da compreensão musical, Kramer defenderá a noção de que a compreensão musical é, ou deve ser, a base da análise – e o seu limite. O que a música apresenta para análise, diz Kramer, é o resultado de como uma pessoa culturalmente engajada discursa através dela. E a compreensão musical deve originar-se de interpretações baseadas no processo do discurso musical – o que interessa na música – e de seus efeitos. Michael Klein, PhD em Teoria da Música pela Universidade Estadual de New York em Buffalo, é Professor e Chefe do Departamento de Estudos Musicais em Temple University (Filadélfia). Sua pesquisa dirige-se à teoria crítica e suas aplicações à compreensão musical. É autor de Intertextuality in Western Art Music (Indiana University Press, 2005) e tem publicado uma grande variedade de temas em importantes periódicos internacionais. Seu artigo “Chopin’s 4th Ballade as Musical Narrative”, publicado em 2004 em Music Theory Spectrum, rendeu-lhe um prêmio da Society for Music Theory. Seu próximo livro, Music and the Crises of the Modern Subject, dirige-se aos problemas da subjetividade moderna (segundo o modelo lacaniano) e suas implicações para a compreensão da música. Em sua conferência para o congresso da TeMA – “Música e Narrativa a partir de 1900: o desafio hermenêutico da análise contemporânea”, Klein argumenta: “O que faz crescer a problemática da narrativa musical após 1900 é a perda daquilo que muitos consideraram (erroneamente) ser o impulso narrativo da música anterior a 1900: a tonalidade.” Para o autor, a tonalidade funciona mais como uma ideologia do que como narradora de histórias. Segundo Klein, “o estudo narrativo da música é um ato hermenêutico, que deve ocupar-se da história, da cultura e da subjetividade. Caso contrário, a narrativa musical simplesmente reinscreve o formalismo puro no estudo da música”.